Numa madrugada fria e inóspita Meu espírito q agoniza, enfim fraqueja, Dá o braço a torcer e roga a presença do Altíssimo Ainda q eu seja ateu até o último fio de cabelo, Até o mais íntimo dos órgãos. Grito e clamo por ele... Mais uma vez não o vejo. Deus sempre me assombrou Com a possibilidade Dele realmente existir E estar desaprovando meus desvarios e danações. E incrédulo, tenho uma sombra de esperança de vê-lo Manifestar-se em minha carne Inflando vida no corpo cansado. Na minha infância perdida Criaram Deus nas catedrais da minha ingenuidade. Deus era respeitável, presente e acolhedor. Guiava-me em águas tranquilas, Protegia-me como a um filho. Ele habitava cada célula, cada veia, cada artéria, Eternamente dentro de mim, Instante a instante refrigerando meu ser. Só q hoje a madrugada é fria, sombria e intimamente solitária, E minhas vontades egoístas me escravizam Num mundo aonde Deus morreu. E agora Ele teima em me chamar Através da fé que eu não tenho e que fiz escorrer pelo ralo. Ora, sou humano! Deixe-me! Quero mostrar-Lhe o pó que Vossa Infinitude formou E que com lágrimas trasformei em um pântano! Pois sua forma sobrenatural, suprema, divina e perfeita Se submete ao meu jeito impuro, humano e limitado de ser. Não vou pedir ajuda ou implorar satisfações, Nada importa quando a vazia e estúpida madrugada Não se despede e acompanha meu caminho Como um sol q não amanheceu.
18:53 - 19/12/2005
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